Rádio Chapada



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pingo de Fortaleza - Uma chuva de musicalidade comprometida




Compositor, músico, brincante, pesquisador  e produtor cultural Pingo de Fortaleza é um artista  que nasceu um ano antes do Golpe Militar e que se envolveu com a música  e com outras linguagens artísticas na adolescência. Recebe esse pseudônimo por ter nascido prematuro. Com uma grandeza de olhar ele destaca que definir o que é  popular e  contemporâneo  está cada fez mais é difícil e perigoso usar estas compartimentações no campo da cultura e da arte. 


Alexandre Lucas – Quem é Pingo de Fortaleza?

Pingo de Fortaleza - João Wanderley Roberto Militão, nascido prematuro em Fortaleza no dia 08 de fevereiro de 1963, músico desde a adolescência e um eterno apaixonado pela arte da vida e pelas artes.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória?

Pingo de Fortaleza - Comecei ainda menino tocando violão no bairro José Walter e em seguida junto aos amigos da ETFCE onde cursei meu segundo grau, depois fui cursar música na UECE e neste tempo já havia me envolvido com parceiros do teatro e da poesia. Ali no universo do movimento estudantil do inicio da década de 1980 fiz minhas primeiras apresentações e meus primeiros espetáculos individuais. Depois gravei meu primeiro LP em 1986 e nunca mais parei de produzir e seguir nesta viagem musical.

Alexandre Lucas – Como se deu sua relação com a música?

Pingo de Fortaleza - De forma natural, recebendo informações de todas as formas e linguagens e se fortaleceu na adolescência com a audição das músicas do Pessoal do Ceará.




Alexandre Lucas – você é autor do livro Maracatu Az de Ouro – 70 anos de memórias, loas e batuques. O que representa a publicação deste livro para o Maracatu Cearense?

Pingo de Fortaleza - Tenho mantido um envolvimento com o universo da cultura do maracatu do Ceará desde 1990 quando criei a canção Maculelê, acho que o livro traduz um pouco todo o meu aprendizado neste segmento e revela através da história do Maracatu Az de Ouro que ainda precisamos de muitos registros para reconhecer profundamente à rica e significativa presença do maracatu na cidade de Fortaleza.

Alexandre Lucas – Além de pesquisador, você é brincante de Maracatu. Isso possibilitou um olhar diferenciado para produção do seu livro?

Pingo de Fortaleza - Ser brincante me deu mais felicidade em conseguir produzir este trabalho, pois vivo este universo e procuro recriá-lo sempre.

Alexandre Lucas – você é um dos fundadores do Maracatu Solar. Como vem sendo desenvolvido esse trabalho?

Pingo de Fortaleza - O Maracatu SOLAR é um Programa de Formação Cultural Continuada da ONG SOLAR (ONG criada por mim e alguns parceiros em 2005) e de certa forma essa atividade deu mais visibilidade e articulação a SOLAR e também nos possibilitou uma prática mais livre desta manifestação.

Alexandre Lucas – Você agrega na sua musicalidade o popular e o contemporâneo?

Pingo de Fortaleza - Em minha arte agrego sempre aquilo que me vem de inspiração e atualmente tenho usado pouco essas nomeclaturas, por compreender que todas os gêneros estão de certa forma conjugados e que está cada fez mais é difícil e perigoso usar estas compartimentações no campo da cultura e da arte.

Alexandre Lucas – Como você ver a relação em entre arte e política?

Pingo de Fortaleza - Acho que no campo filosófico a arte é parte integrante das relações humanas na sociedade, portanto qualquer fazer artístico é uma ação política, contudo não me refiro à política de estado ou governo.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos.

Pingo de Fortaleza - Depois dos cds Prata 950 (2009), Ressonância Instrumental (2010) e Axé de Luz(2011), pretendo lançar um novo livro sobre os universo rítmico do maracatu do Ceará e estou trabalhando num projeto intitulado "Pérolas do Centauro - 40 Anos da Música Cearense e 30 Anos da Musicalidade de Pingo de Fortaleza (1972-2012, Compositores e Intérpretes)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Carta aos pretensos candidatos à Prefeitura do Crato


Outro olhar para políticas públicas para cultura

Pensar numa “Cidade da Cultura” no Crato pressupõe existirem cidades sem cultura. Logo essa indagação nos faz pensar sobre que conceito de cultura nos referimos e o que essa afirmação provoca no âmbito das discussões das políticas públicas para a cultura.

Podemos afirmar que o termo “Crato: Cidade da Cultura” é uma invenção das elites econômicas e intelectuais conservadoras da década de 50 do século passado, para se contrapor ao crescimento urbano, estético, econômico e social de Juazeiro do Norte, numa disputa que ainda hoje ronda as visões barristas que nos separam e nos atrofiam. Essa afirmação teve a serventia de colocar os cratenses num falso patamar de superioridade cultural e artística.

Apesar de este conceito ter permanecido, ele foi reinventado, negado e hibridizado ao longo dos anos, a partir de concepções diversas e divergentes, mas que comungam com a ideia de defesa do território simbólico e espacial.

A região do Cariri, notadamente as cidades de Crato e Juazeiro do Norte tem uma produção estética e artística efervescente, criativa e misturada em que o tradicional se mescla do contemporâneo, em que o popular e o erudito se hibridam fazendo frente à hegemonia da cultura de massa. Em que a tradição e os novos tradutores da cultura, arte e estética se brindam nos terreiros e nas conexões cibernéticas.

O discurso sobre o “artista da terra” e da “cultura de raiz” deve ser substituído por uma compreensão mais ampla e consistente, que considere os agentes da produção simbólica (artistas), como seres dotados de identidade e história, que dialogam constantemente com o seu umbigo social e o mundo e que não rastejam em terras úmidas, como as minhocas. Mas que são voadores e andarilhos, dóceis e bravos, resistentes e frágeis. Trabalhadores que trocam a sua mão de obra manual/intelectual pela sua subsistência. A produção intelectual e artística não deve ser vista com um hobby ou uma vitrine gratuita de apresentações. Por lado a cultura não é vegetal e por isso não pode ter raízes. A cultura é viva, é dinâmica, se reinventa, se hibrida, criar teias, se modifica constantemente e não se enclausura em padrões fixos ou determinações institucionais.

Essas colocações desapontam as concepções de gestão cultural ou de políticas públicas para a cultura que assinalam como caminhos visões que privilegiem determinadas produções simbólicas em detrimentos de outras perfazendo muitas vezes o percurso ilusório do discurso da “Cidade da Cultura”. Por lado, é inviável pensar que a gestão da cultura é um banco de financiamento público para todos e tudo.

Para pensar a gestão da cultura e das políticas para cultura no Crato se deve considerar as conquistas alcançadas, visando consolidar-las e aprofundar-las para evitar retrocessos e atropelos pelas gestões posteriores.

Outro fator, importante neste aspecto é que o Crato não ficou a margem dos processos de discussões da conjuntura nacional no tocante a políticas públicas para cultura e deu inicio a alguns aspectos jurídicos que devem ser reforçados e tornados triviais para a população e o poder público.
Diante do exposto, apresento algumas questões que são essenciais para refletir sobre as políticas públicas e a gestão da cultura na cidade do Crato. Para facilitar o entendimento se compreende como políticas publicas, ações que tem caráter “permanente” e são amparadas por aspectos jurídicos e gestão da cultura como formas organizacionais de gerir o setor e normalmente tem um caráter efêmero e se modificada de gestor para gestor.

A intenção não é recriar a roda, mas reforçar concepções que vem sendo defendidas pelos diversos agentes da produção simbólica e intelectual do campo progressista no país e que ganhou conteúdo e forma mais encorpada a partir do governo Lula, tendo como referencial dessas concepções figuras como Celio Turino, Juca Ferreira, TT Catalão, Gilberto Gil, Sergio Mamberti, Américo Córdula e Marilena Chaui, dentre outros e que teve como caixa de ressonância e empoderamento os diversos segmentos organizados do povo brasileiro que cotidianamente se reinventam, se pluralizam, se diversificam e se hibridizam, em cada ponto vivo das culturas do Brasil.

Quais são, portanto esses norteadores para se pensar as políticas e a gestão da cultura no Crato?
É preciso ter um norte que não seja fechado, mas que carregue um direcionamento que compreenda a cultura e a produção simbólica como direitos humanos, capaz de possibilitar que as pessoas possam se desenvolver e participar plenamente da vida.

Portanto é imprescindível que as políticas públicas para cultura sejam refletidas de forma intersetorial, pois ela deve ter ligação com o desenvolvimento econômico, social, educacional, turístico, comunitário, agrário e desportivo da cidade e da população.

Outra questão fundamental é garantir a acessibilidade da população as diversidades de linguagens estéticas e artísticas e as manifestações culturais de caráter tradicional e contemporâneo visando o entrelaçamento do popular e do erudito, do regional e do universal, sem hierarquias ou segmentações.

O patrimônio histórico, cultural, arquitetônico e artístico da cidade deve se tornar patrimônio vivo da população, o que só possível com a interação e processos educativos baseados em relações de identidade e pertencimento.

É necessário criar mecanismos de consulta permanente com os diversos segmentos para vislumbrar e efetivar políticas públicas, bem como possibilitar a criação de uma rede formada a partir do reconhecimento dos trabalhos de grupos e artistas nas comunidades rurais e urbanas como elemento de potencializar a troca de saberes e fazeres e o empoderamento político dos agentes culturais numa tentativa de redescobrir a produção simbólica do nosso povo.

Outra questão fundamental é agilizar o funcionamento do Fundo Municipal de Cultura e uma política de edital que incentive a produção artística de forma desburocratizada.

Criação de uma política de ocupação dos equipamentos culturais de forma permanente e adequação das necessidades técnicas.

Continuidade e consolidação dos eventos que vem sendo desenvolvido no Município pelo Poder Público Municipal, em especial o Festival Cariri da Canção, Abril prá Juventude e o Festival de Quadrilhas Juninas e incentivo aos demais eventos que já fazem parte do calendário turístico da cidade.

Revisão, discussão e aplicabilidade das resoluções da Conferência Municipal da Cultura.

Reconhecer as escolas como centros privilegiados de fruição e disseminação da cultura, da estética e das artes no sentido de transformar/adaptar esses equipamentos em espaços vivos de estudos, vivências, experimentações e circulação dos saberes e fazeres tradicionais e contemporâneos, regionais e universais, eruditos e populares. É primordial que as escolas possam atender as determinações da resolução estadual 411/2006 que fixa normas para o componente curricular Artes, no âmbito do Sistema de Ensino do Estado do Ceará, que vem sendo severamente descumprido pelo Governo Estadual e pelos Governos Municipais.

Esse é um ensaio para esboçar uma perspectiva mais abrangente que possa perpassar gestões e entregar ao povo o legitimo direito de protagonizar suas escolhas estéticas, artísticas e culturais de forma ativa e permanente.



Alexandre Lucas
Coordenador do Coletivo Camaradas, integrante do Coletivo Nacional Programa de Interferência Ambiental – PIA, pedagogo e artista/educador.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Guimarães: Não deixem que a mídia impeça que Dilma baixe os juros - Portal Vermelho

Guimarães: Não deixem que a mídia impeça que Dilma baixe os juros - Portal Vermelho

Nos últimos dias, surgiu uma surpreendente e insistente pressão contra medida do governo Dilma para reduzir os juros ao consumidor. Nas tevês (abertas e a cabo), nas rádios, na internet e, sobretudo, na imprensa escrita estão tentando vender que baixar os juros seria ruim para o Brasil, acredite quem quiser.

Por Eduardo Guimarães*


A medida em pauta, para quem não sabe, é uma forte redução da taxa de risco que os bancos públicos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) cobram do tomador de empréstimos em qualquer das modalidades (empréstimos pessoais, cartão de crédito e cheque especial) – o mercado financeiro chama essa taxa de “spread”.

No sábado (7), publiquei artigo de um executivo dos quadros da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que há anos vem se dedicando a “explicar” na imprensa por que diabos, no Brasil, cobram-se os juros mais altos do mundo.

Roberto Luis Troster escreveu, escreveu e não explicou nada. Nos programas de tevê a cabo como os da Globo News, em rádios e nos grandes jornais, uma penca de “economistas” afiança ao distinto público que, por razões que não consegue explicar, os bancos públicos oferecerem juro de 2% no cheque especial quando os bancos comerciais cobram de 8% a 12%, seria ruim para o país.

Se você pensa que ninguém que não seja banqueiro ou empregado da mídia financiada por banqueiros cairia nessa, leitor, está enganado. No próprio post em que desconstruí o artigo de Troster apareceram comentaristas dispostos a pagar mais por um empréstimo bancário porque o tal executivo da Febraban seria “dotô” no assunto e se ele falou, está falado.

Mas a gritaria da mídia em defesa dos juros extorsivos que se cobram no Brasil não visa exatamente o público, mas o governo. E por que? Porque essa mídia sabe que tem poder de pressão sobre esse governo.

Assim como a mídia conseguiu impedir políticas públicas como a do kit anti-homofobia nas escolas ou a de implantação de um marco regulatório nas comunicações, esses veículos fustigam o governo na ânsia de fazerem com que abandone essa idéia de diminuir os maiores juros ao consumidor da Via Láctea.

Não é por outra razão que, de sexta-feira para cá, a Folha de São Paulo já publicou dois artigos contra a política de redução da taxa de risco determinada pelo acionista majoritário da Caixa e do BB. Um texto saiu no sexta-feira e o outro, hoje (9/4).

O autor dessa segunda pérola de embromação escrita, propositalmente, em bom economês na esperança de que o leitor termine o texto concluindo que se um “dotô” disse é porque deve ser verdade, chama-se Gustavo Cerbasi. É apresentado pela Folha como autor de livros de auto-ajuda chamados “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” e “Como Organizar a Sua Vida Financeira”.

O texto, com chamada na primeira página da Folha, é de congelar até os ossos de tão ruim e desonesto. Reproduzo o texto de Cerbasi abaixo. Após cada parágrafo dele, um comentário meu sem negrito.

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Folha de São Paulo

9 de abril de 2012

Caderno Mercado (B12)

Carteirada no mercado

Na semana passada tivemos mais um triste episódio de interferência do governo em uma empresa pública com a imposição ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal de uma política de redução forçada de juros.

Se o governo não determinar os rumos de empresas que administra será melhor, então, privatizar a Caixa e o BB.

Os interesses do governo são louváveis, afinal o objetivo é estimular o crédito para o consumo e para a produção interna, trazendo como conseqüência o aquecimento da economia. Para sustentar o crescimento equilibrado, cabe ao governo contar com todas as ferramentas disponíveis, incluindo a desoneração fiscal, o corte de gastos e – por que não? – seu poder de decisão como acionista-mor das empresas públicas.

Como se vê, o sujeito está sugerindo privatização “branca” da Caixa e do BB, mas o que parece querer mesmo é privatização nua e crua. Poderia ser ideologia, mas é 171 mesmo para defender os ganhos dos banqueiros.

Porém, os interesses nacionais deixam de ter propósito quando objetivos de curto prazo – aquecimento temporário da economia – atropelam regras de credibilidade e de equilíbrio do mercado que são construídas no longo prazo.

Que aquecimento temporário? Será que ele não se dá conta do que aconteceu no país na década passada? Será que não sabe que o Brasil é hoje campeão de geração de empregos, de distribuição de renda e de tudo que o mercado despreza?

BB e CEF são instituições que sempre estabeleceram suas políticas de acordo com interesses políticos. Consequentemente, supõe-se que as políticas de crédito adotadas até então já vinham atendendo, em situação limítrofe, aos interesses de aquecimento da economia.

É muito bom que interesses políticos influam em políticas públicas, pois o povo quer uma economia dinâmica, quer os empregos e a distribuição de renda que só fazem aumentar no Brasil e isso só foi possível porque o Estado quis agradá-lo.

Mas, ao forçar o preço do crédito para níveis abaixo do equilíbrio saudável a essas empresas, a interferência governamental afeta não apenas as contas dos dois bancos de propriedade da União. Sendo o Banco do Brasil uma empresa de capital aberto, são afetados também investidores que, até então, acreditavam que a gestão guiaria suas decisões no sentido de priorizar o crescidmento dos resultados e da capacidade de crescimento.

Meeeu Deus! Será que existe algum cristão que se lembra de que durante a crise de 2008 e 2009 esses “especialistas” disseram a mesma coisa, que a Caixa e o BB iriam naufragar e provocar prejuízos aos acionistas por terem aberto linhas de crédito fartas quando as bancas nacional e estrangeira privadas fecharam todas as suas linhas? O país teria quebrado se tivesse ouvido essa gente.

Definir uma política de negócios com base na expansão de mercado e não de resultados é caminho certo para a deterioração da saúde de uma empresa. Isso explica por que as ações do BB caíram quase 6% no dia do anúncio das medidas.

Aconteceu a mesma coisa em 2008/2009 logo no primeiro momento em que o governo Lula anunciou que supriria a escassez de crédito no mercado. Houve queda das ações por conta da gritaria de que a crise se agravaria e os empréstimos que estavam sendo concedidos não seriam pagos. No ano seguinte, o mesmo BB assumiu a liderança dos bancos brasileiros, tornando-se o maior de todos e com inadimplência menor.

A interferência do governo Dilma reitera uma prática antiga no país, que nos últimos anos afetou significativamente os resultados e os investimentos de empresas como Petrobrás, Infraero, Correios e Furnas, entre outras, e que gerou como conseqüência de longo prazo a desconfiança de investidores e da população quando à sustentabilidade das medidas.

Gente… Preciso dizer alguma coisa? Todas essas empresas estão batendo recordes de produção, rentabilidade etc. A credibilidade do Brasil só faz aumentar no mundo. A população confia cada vez mais na “sustentabilidade das medidas”, pois, do contrário, não estaria avaliando o governo cada vez melhor e nem ao menos teria eleito Dilma Rousseff.

O que será que esse cara fumou ou cheirou ou bebeu?

Investidores de qualquer lugar no mundo sabem que, ao investir em uma empresa pública brasileira, correm o risco de ter parte do lucro tomado pelo governo para cobrir um rombo no INSS ou de ter preços manipulados para incentivar políticas de curto prazo. A imposição de preços irreais para o crédito não é diferente do que tem sido feito com o preço dos combustíveis. Enquanto a Petrobras funciona à margem das regras de mercado, sua credibilidade é questionada e a dificuldade para captar recursos aumenta, limitando investimentos e, consequentemente, o crescimento da empresa e do preço de suas ações.

Deve ser por isso que os investimentos chovem no Brasil, que os investimentos aumentaram tanto na Petrobrás que o país descobriu e já explora o pré-sal enquanto investidores se acotovelam para conseguir um pedacinho do negócio. Esse cara só pode estar falando do Brasil da era FHC. O Brasil que tem moeda supervalorizada por excesso de dinheiro para investimentos chegando não pode ser o mesmo que Cerbasi comenta.

Fossem empresas públicas mais confiáveis e menos manipuladas, seria mais fácil expandir suas atividades e diminuir o custo de fidnanciamento dessa expansão. Isso poderia ser feito com aumento do capital em Bolsa. O que muitos chamam de privatização é, na verdade, um jogo de confiança na criação de resultados sustentáveis.

O articulista dá voltas, dá voltas e volta ao que tanto almeja: privatizar os bancos públicos e, agora se vê, também a Petrobrás. O Brasil paga menos até do que países ricos como Espanha, Itália etc. quando se financia no exterior. Isso é devido ao fato de que atingiu avaliação de risco conhecida como “grau de investimento”, que lhe propicia juros menores no mercado internacional.

Existem outros mecanismos para interferir na economia sem quebrar regras de mercado. Por exemplo, se o governo crê que o crédito não cresce porque a concorrência é entre poucos e esses poucos cobram muito, poderia facilitar a concorrência e, com políticas mais flexíveis, permitir o crescimento de bancos menores ou a entrada no país de mais bancos estrangeiros.

Agora o cara forçou a amizade. O Brasil recebeu todos os bancos estrangeiros possíveis e imagináveis e até estendeu a mão aos pequenos, na última década, mas o fato é que a concentração bancária é um fenômeno mundial. Os bancos estão se fundindo no mundo inteiro. Os bancos estrangeiros que quiseram, vieram para cá. Cerbasi tenta nos fazer a todos de idiotas.

Poderia também acelerar a reforma fiscal e aumentar a arrecadação com maior atividade na economia, mesmo que cobrando alíquotas menores de impostos. Como se diz no meio empresarial, ganhando no giro e não na margem.

Caraca! Mas é exatamente isso o que os bancos públicos estão fazendo – não na questão dos impostos, mas na questão de ganharem no giro ao concederem mais empréstimos com margem de lucro menor via redução do spread. Agora, pedir menos impostos aos bancos mais lucrativos do mundo, isso é “neoliberalês” pra boi dormir. E que, aliás, quebrou o Primeiro Mundo.

Essas interferências que surpreendem o mercado nada mais são do que o resultado da incapacidade de planejar a longo prazo. Enquanto o horizonte máximo de planejamento público continuar sendo a próxima eleição, governar continuará sendo sinônimo de apaagar incêndios e de manipular regras. Afinal, no Brasil, somos pródigos [sic] em esquecer, com o tempo, as grandes bobagens que são feitas no presente.

É por isso que a situação do país é tão ruim, não? Cerbasi está muito enganado. Não somos “pródigos” em esquecer governos que fazem bobagens. Até hoje os brasileiros não esquecem as bobagens econômicas que FHC fez e que tanto agradavam a essa gente. Por isso, nas últimas três eleições presidenciais o povo chutou o traseiro do partido que pensa como esse “especialista”.

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A Folha é o exemplo que uso, mas podemos encontrar o mesmo na CBN, na Globo News, em O Globo, no Estadão etc. Todos dando espaço a “analistas” que estariam desconsolados com o “populismo” da medida do governo.

Se eu pedir à minha neta, que tem dez anos, para apertar um desses sabichões, ela, por certo, não teria maiores problemas para encurralá-lo. Bastaria perguntar o que justifica que no Brasil, que tem uma das economias mais organizadas do planeta, os bancos cobrem uma taxa de risco de não serem pagos maior do que a de países em graves crises econômicas.

Venho usando dois exemplos, nessa questão, que vale repetir. No Iraque, por exemplo, um país que ainda vive um conflito sério e que vem de uma guerra que o arrasou, ou na Grécia, sufocada por uma crise que está levando cidadãos ao suicídio, os bancos cobram taxas de risco – e, portanto, juros – menores do que os bancos brasileiros.

Aquele post de sábado, intitulado A grande jogada administrativa e política do governo Dilma, também ofereceu outra explicação para a artilharia contra a medida desse governo para baixar os juros. Se ela vingar, Dilma estará reeleita e fim de papo.

Expor o risco para o país que essa questão encerra já produziu resultados. O site Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, também está repercutindo o assunto e dando valiosa contribuição ao trazer exemplo de medidas de combate a esses “analistas” espertalhões financiados por banqueiros que estão sempre levando a sociedade no bico, fazendo-a aceitar os interesses do grande capital como se fossem seus.

Eis um trecho do post do Azenha:

(…) Na edição de março do Le Monde Diplomatique, Renaud Lambert relata que, desde janeiro deste ano, a Associação Norte-Americana de Economia, AEA, faz uma exigência a seus associados. (…) Os artigos publicados nas revistas científicas por membros da associação devem revelar os eventuais conflitos implicando seus autores. Os economistas deverão, assim, identificar e mencionar as ‘partes interessadas’ que lhes tenham pago uma remuneração financeira (…)

E não ficou por aí. Entrei em contato com importante liderança política ligada ao governo Dilma Rousseff que tem possibilidade de conseguir espaço condizente na imprensa para defender a redução da taxa de risco pelo BB e pela Caixa. Isso porque, se não nos mexermos, a pressão da mídia pode fazer o governo recuar em uma medida tão importante para o país.

*Eduardo Guimarães é jornalista e colunista.

Fonte: Blog da Cidadania

Auci Ventura - A artista de Cara pro mundo




Compositora, pesquisadora, educadora, cantora e "viajada". Auci Ventura se contagiou pela música ainda na infância, a partir das cantigas das brincadeiras de criança. Para a artista “é chegada à hora da reeducação do ouvido, de aprender e ensinar com prazer, abrir o caminho que devemos trilhar na descoberta dos sons. A propósito, o que deve fazer de todos nós, ouvintes atentos do nosso meio ambiente”. Uma artista preocupada com o mundo e com o conteúdo da sua musicalidade.

Alexandre Lucas - Quem é Auci Ventura?

Auci Ventura - Uma pessoa comum que ousa sobreviver daquilo que mais gosta de fazer: CANTAR, que acredita em Deus, gosta de privacidade e de silêncio, amante incondicional da paz e da justiça!
Detesta pessoas desonestas e abomina qualquer tipo de violência, assim como, todo e qualquer tipo de preconceito. Uma pessoa que separa seu lixo a mais de 30 anos e que acredita nessa atitude para ajudar o planeta.

Alexandre Lucas - Como se deu seu contato com a Música?

Auci Ventura - Acho que se deu meio que por acaso, desde criança por volta dos 7 anos nas brincadeiras de calçadas, era muito comum nos anos 70 as cantigas de roda do universo infantil aqui no Cariri.
Aos 8 anos fiz minha primeira apresentação no rádio, com Senhor “Eloia”, aos 9 já estava em São Paulo, aos 16 fiz minha primeira música, (toquei meus primeiros acordes no violão), fiz teatro. Aos 20 já cantava profissionalmente, aos 24, graduada em Educação Artística. O tempo voa kkkkkk.

Alexandre Lucas - Como Caracteriza sua Musicalidade?

Auci Ventura - Como uma propriedade natural inerente a meu ser, que tem por necessidade expansão e divisão. É inquietante e sempre em busca de novas emoções, advindas do universo de sons naturais e artificiais do todo existencial.

Alexandre Lucas - Qual a diferença em tocar em barzinhos e palcos?

Auci Ventura - Palcos Alternativos= Público pré selecionado, convocado.
Barzinhos = Público Livre e diverso (muda só o público, o trabalho em si para mim é igual). O que me importa é mostrar o trabalho, amo todo tipo de público de leigos a críticos.

Alexandre Lucas – Você compôs uma música de protesto contra a Indústria Cultural, qual sua análise das músicas tocadas nos veículos de comunicação de massa?

Auci Ventura - Já fiz várias musicas de protesto, principalmente nos anos 80, a que fiz atualmente trata de questões urgentes da contemporaneidade, lamentavelmente a música tocada para o grande público é de uma qualidade de enlatados para consumo imediato, ainda bem que são descartáveis, não permanecem.
A indústria cultural de enlatados artísticos, lança sem análise qualitativa seus produtos para um público alienável, sem educação auditiva que se condiciona com facilidade pela execução exagerada que a mídia propicia através dos jabás, que dá no que dá: LIXO!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre Arte e Política?

Auci Ventura - A Arte está para Política, assim como o farol está para escuridão! É o Norte que dirige o olhar através das diferentes expressões para o acerto final. Que ousa, contesta e segue em frente adaptando-se as diferentes marés sejam cheias ou mansas, que percebe o movimento e cria estratégias para mudar o absurdo.

Alexandre Lucas - Qual a sua percepção sobre a musicalidade produzida na região do Cariri?

Auci Ventura - O Conceito de Musicalidade e Musicalidade Cariri:O que tenho a acrescentar nesse sentido, é que de fato são poucos os artistas da região que mostram em seus trabalhos musicais, elementos dessa musicalidade regional, o que de fato na verdade não tem nada de excepcional em sua estética formal. As referências históricas quanto à etnomusicologia local seguem os mesmo padrões de pesquisas antropológicas de diversas regiões do Brasil, o que afasta a idéia de ineditismo, exceto pela corrente gonzagueana que já faz parte do movimento modernista. Não quero aqui desmerecer os talentos regionais, que alias cito com muito carinho na pesquisa. Apenas quero focar no que realmente ficou na memória.
Tenho percebido através do Teatro, da literatura e das artes visuais produzidas no Cariri, uma representação mais fiel dos caracteres da cultura cariri, a música ainda deixa muito a desejar, mesmo porque em sua origem primitiva, o registro que temos de partituras chega a ser melodias enfadonhas e sem graça. (Auci Ventura apresentou a monografia com o tema: “MUSICALIDADE CARIRI:” UMA PROPOSTA EM ARTE – EDUCAÇÃO)

Alexandre Lucas - Quais os seus próximos trabalhos?

Deixo aqui um pouco do meu momento, que é de muito isolamento e concentração, entre Chapada do Araripe (Silêncio) x Urbanidade perturbada (Barulhos Urbanos), estou no limite, penso em dar uma volta novamente pelo mundo e levar um pouco da escola que pratiquei aqui para outros territórios do planeta. internacionais e nacionais. Me preparando para qualquer proposta descente. kkkk!!!!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cordel de Graça na Praça

Quem gosta de cordel? Os causos contados pelas poesias populares e impressos em livretos apresentam histórias possíveis e impossíveis de acontecerem. Mas também podem falar do Coletivo Camaradas, sobre a Arte ou sobre liberdade. Assim como também podem ser distribuídos na praça! E isto é o que vai acontecer no próximo dia 12 de abril, às 17 horas, na Praça Siqueira Campos, na cidade do Crato.

Os cordéis foram produzidos pelo Coletivo Camaradas, com o apoio do Ministério da Cultura, por meio do Prêmio de Literatura de Cordel - Edição Patativa do Assaré. Durante o lançamento haverá leituras musicadas e dramatizadas de poemas com Jean Alex, Mura Batista, Lilian Carvalho, Edival Dias e brincantes.

Você já pode ir pensando no que vai encontrar nos cordéis. Os títulos que serão lançados no dia 12 são os seguintes: Coletivo Camaradas (Mura Batista), Coletivo: Camaradas (Salete Maria), Quem são esses camaradas? (Nezite Alencar), A arte que humaniza (Adailton Ferreira), Quando a arte humaniza (Maercio Lopes), Libertando através da Arte (Mura Batista) e A brincadeira vai começar (Josenir Lacerda). Os dois primeiros são relançamentos de cordéis já publicados pelos autores.

Os livretos também serão distribuídos durante as ações do Coletivo Camaradas, nas escolas da região e em bibliotecas. Na segunda parte do projeto, a ser realizada em abril, estes sete títulos serão lançados em versão digital. Além dos já lançados em forma impressa, serão adicionados mais dois: A donzela e o cangaceiro (Cacá Araújo) e Auto do Caldeirão (Oswald Barroso).

Venha e conheça mais sobre o Coletivo Camaradas justamente em uma das expressões mais populares da arte: o cordel.